Tema foi abordado
durante 4º Diálogo Entre Bacias Hidrográficas do Extremo Sul Catarinense
Os dados históricos apontam que Santa Catarina, ao longo dos
anos, principalmente entre os meses de abril e junho, vive constantes períodos
de baixo volume de chuvas. A redução das precipitações impacta na quantidade e
qualidade de água disponível para o abastecimento humano e para o uso nas
atividades econômicas e sociais no Estado. Diante desse cenário, o 4º Diálogo Entre
Bacias Hidrográficas do Extremo Sul Catarinense, realizado nesta quarta-feira,
dia 15, trouxe para o debate o tema “Estiagem no Sul catarinense e a busca pela
segurança hídrica”.
O objetivo do evento, que neste ano ocorreu totalmente
online, foi firmar parcerias entre os setores econômicos produtivos e os
Comitês de Bacias Hidrográficas, visando a criação de medidas de segurança
hídrica para minimizar os efeitos da estiagem a curto, médio e longo prazo.
“Segurança hídrica é quando existem condições de uso de água para o
desenvolvimento social, econômico e ambiental, principalmente quando há a
presença de eventos meteorológicos como a estiagem que estamos vivendo”, salientou
a geógrafa e técnica em Recursos Hídricos da Associação de Proteção da Bacia
Hidrográfica do Rio Araranguá (AGUAR), Rose Maria Adami.
Durante o 4º Diálogo, o meteorologista da Epagri/Ciram,
Marcelo da Silva, palestrou sobre a situação climatológica em Santa Catarina.
“Apresentei números desde de dezembro de 2019 sobre a quantidade de chuva que
era esperada no Estado e o que realmente choveu. Vimos as projeções de
precipitações para os próximos meses e podemos avaliar que apesar das últimas
chuvas, a situação pluviométrica ainda carece de atenção e carece de cuidados”,
salientou Silva.
Os setores produtivos
e a gestão dos recursos hídricos
Entre os setores produtivos que fazem o uso de água das
bacias hidrográficas do Extremo Sul catarinense estão a indústria e a
agropecuária. Por isso, o evento contou também com as palestras de Tiago Mioto,
gerente de Desenvolvimento Florestal e Ambiental da Secretaria de Estado da
Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural (SAR) e de José Magri,
presidente da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das
Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC).
“O setor agropecuário na região Sul do Estado demanda um
volume significativo de água. Existem programas e recursos financeiros
disponíveis e também já aplicados pela Secretaria de Agricultura, que visam
beneficiar os produtores na melhoria de suas atividades. As políticas públicas
existem e elas devem chegar onde os recursos precisam ser aplicados, sempre
buscando a segurança hídrica, aliado ao desenvolvimento sustentável e a
garantia da preservação do meio ambiente”, disse Mioto.
Já Magri destacou a necessidade de se repensar o uso da água
na indústria. A FIESC, nos últimos anos, já vem incentivando seus associados a
realizarem ações eficientes, por meio de novas tecnologias, para redução do uso
dos recursos hídrico no processo produtivo. “Os momentos de adversidade como
estiagem e pandemia é a oportunidade de se reinventar. É o momento de
reanalisar o uso da água. E Santa Catarina vai precisar disso, sem os recursos
naturais, não há indústria”, pontuou.
Palestraram também Antônio Willemann, superintendente do
Consórcio Público de Saneamento e Agência Reguladora do Saneamento (CISAM-SUL),
e Felipe Fagundes, presidente da Câmara de Regulação e Fiscalização do
Saneamento Básico (CREFISBA CISAM-SUL), que apresentaram as ações das agências
reguladoras para atendimento das demandas durante a estiagem.
Ações conjuntas
Mais de 80 pessoas participaram do 4º Diálogo. Ao fim do
evento, foram elencadas cinco ações conjuntas que os setores irão trabalhar
para viabilizar uma melhor segurança hídrica no Extremo Sul de Santa Catarina.
Entre as medidas estão: identificar possíveis fontes
alternativas e seguras de captação de recursos hídricos; troca de experiências
para o reuso de água nos diferentes setores econômicos; apoio nas ações e
recomendações dos órgãos de fiscalização ambiental no controle de atividades
que causem impacto nas bacias hidrográficas; realização de capacitação voltada
para os atores da bacias hidrográficas sobre segurança hídrica; e promover a
preservação e recuperação das Áreas de Preservação Permanentes Fluviais,
nascentes e topos de morros.
“Contamos com a participação de fóruns e comitês de bacias
hidrográficas de diferentes partes do Brasil. Como encaminhamento do evento,
conseguimos identificar as ações que os setores estão fazendo ou não e que
podem ser articuladas com a gestão de recursos hídricos para otimizar os
resultados. Um exemplo são as agências reguladoras de água, que podem
disponibilizar dados sobre as demandas do uso de setores pelas concessionárias
de água. Outro destaque foi o reconhecimento da FIESC sobre a importância do
setor estar aliada à gestão dos recursos hídricos para o desenvolvimento das
suas atividades”, analisou a engenheira ambiental e técnica em Recursos
Hídricos da AGUAR, Michele Pereira da Silva.
O 4º Diálogo Entre Bacias Hidrográficas do Extremo Sul
Catarinense foi promivido pelos Comitês das Bacias dos rios Araranguá,
Afluentes Catarinenses do Mampituba e Urussanga, juntamente com o Colegiado de
Meio Ambiente da AMREC. O evento contou com o apoio da AGUAR, Secretaria do
Estado de Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE) e Associação dos
Municípios da Região Carbonífera (AMREC).
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